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Entrevistas


   .: Teatro Mágico


Exteriorizar a criança existente em cada um e a sensibilidade. Conscientizar e contagiar, levando boa música, poesia, e o mundo encantado do circo e do teatro. Talvez estas sejam algumas das sensações que o Teatro Mágico desperte em seus seguidores e naqueles que os assistem pela primeira vez. Mas estes são alguns dos muitos objetivos do grupo.
Em Santos a apresentação aconteceu na Tenda 3 montada na praia. Centenas de pessoas acompanharam o espetáculo de dentro e fora do lugar. A tenda ficou pequena para tanta energia. Fãs e admiradores acompanhavam empolgados as letras das músicas, pulando, cantando e o mais importante, compartilhando felicidade.
Após a apresentação e depois de conversar com cada um de seus fãs, o idealizador do projeto, Fernando Anitelli contou pro NaBoa como tudo começou.



NaBoa:
Como surgiu a idéia do Teatro Mágico?

Fernando Anitelli:
O Teatro Mágico começou em 2003, e a idéia era justamente poder amplificar tudo aquilo que acontecia dentro de um sarau. Que é aquela possibilidade de poder compartilhar idéia, brincadeira, música, textos... E foi assim que eu conheci muitas pessoas no Sarau. Eu fazia oficinas de teatro, circo música, e resolvi juntar tudo numa coisa só.
A partir de então, de lá pra cá a gente se transformou numa célula criativa cheia de energia pra poder fazer e experimentar com a nossa arte. E debater, colocar em questão coisas que são pertinentes ao nosso cotidiano: política, a “midialização” da população, educação, cultura livre. É isso aí!



NaBoa: O espetáculo existe há um pouco mais de três anos. Ele mantém o mesmo formato, ou se modifica com o passar do tempo?

Fernando Anitelli:
Mudou. De lá pra cá a gente amadureceu muito, algumas pessoas entraram do circo, outros amigos. Alguns músicos mudaram também. E a gente ta sempre buscando agregar mais valores, mais artistas e somar sempre! Essa é a nossa lei: ”Os opostos se distraem e os dispostos se atraem!”.



NaBoa: Como foi a idealização do espetáculo e o que simboliza o clown neste trabalho?

Fernando Anitelli
: O formato foi idealizado a partir do momento em que...O palhaço é aquele que, em todo mundo, é um ser disposto. Você fala para ele: Você sabe andar de moto em cima da corda bamba? Ele não sabe, mas vai se jogar pra fazer isso acontecer, justamente por ser uma pessoa disposta. Então a gente acredita muito que compartilhando idéias, podendo estar junto, a gente consegue mover isso.
E aí faz uma apresentação, fica bacana. Coloca mais alguma coisa, fica legal. A gente sempre tem idéia, todo mundo dá opinião também, e de lá pra cá, o contexto do espetáculo foi se modificando, mas a idéia do circo veio justamente pra trazer essa questão de família, personagem disposto, o palhaço interior...
A idéia do espetáculo veio da idéia de sarau tudo junto, e de circo, em que o circo é uma grande família. O cara que vende o churros é o mesmo que está no trapézio. O cara que doma o leão é o que vende pipoca depois.
Então essa essência do circo tem muito no Teatro Mágico e foi inspirado nisso tudo que eu criei o espetáculo.



NaBoa: Você já se imaginou  assistindo o seu espetáculo? Como o Fernando Anitelli se sentiria?

Fernando Anitelli
: As vezes a gente se pergunta isso! Eu iria adorar! Porque é um grupo que não tem medo de ousar naquilo que faz, na música no teatro na poesia, e coloca questões políticas, debate coisas que são importantes pro nosso teatro mágico do cotidiano. Então, eu acho que eu iria no mínimo ficar curioso em conhecer um pouco mais sobre esse tipo de trabalho.



NaBoa: O espetáculo conta com performances de circo, teatro, música e poesia, o que leva a platéia para um mundo lúdico. Você acha que para as pessoas entenderem a proposta do Teatro Mágico, elas precisem entrar num mundo de imaginação para voltar ao mundo real, mais esclarecidas?

Fernando Anitelli
: Eu acho que as pessoas precisam abrir os olhos para tudo que está ao redor delas, porque tudo é poesia, tudo é brincadeira. Se consegue fazer arte com tudo que está a sua volta. Você tem que justamente saber porque e pra que você faz as coisas, nada pode ser generalizado, nada pode ser feito de maneira aleatória. Tem que ter um foco, um objetivo, qual que é o intuito de se ter um trabalho como esse. Então na verdade é dentro desses contexto que a gente consegue mover esse projeto ai.



NaBoa: O Teatro Mágico se tornou um incentivo para vários artistas do mesmo seguimento. Qual a dica que você daria para quem inicia essa trajetória?

Fernando Anitelli
: Acreditem! Não desistam nunca. E o mais importante! Procurem outras pessoas que estão na mesma condição buscando a mesma coisa. Busquem escolas, faculdades, teatros municipais, centros culturais. Compartilhem informação, façam saraus,  encontros... é isso que vai gerar sempre uma força capaz de mover não só os grupos envolvidos, mas as pessoas que estão agregadas a isso ai.





Jamili Lima da Silva
www.naboa.com.br

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